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Programa de Pós-Graduação em Educação

ÁREA DE CONCENTRAÇÃO

Educação

O desafiador papel das universidades no exercício de sua necessária universalidade, múltipla e diversificada, deve se constituir em instância singular de criação da experiência cultural e científica demandada pela sociedade. Espera-se delas – lócus privilegiado do exercício do pensamento – que desenvolvam e fertilizem uma cultura de investigação, contribuindo para ensejar uma visão ampla e plural dos fenômenos sociais, alargando sua compreensão e, também incentivando e criando condições para a participação de seus docentes e discentes em investigações e análises relevantes e de produtivo impacto na sociedade. Aspira-se que estas instituições amparem e produzam a crítica, seja às políticas, seja aos fazeres, colocando sob questionamento não só seus objetos de estudo, mas, também, suas explicações, invenções, idéias e discursos. Mas, a produção da crítica não pode estar desarticulada de indicações de formas de superação dos pontos frágeis ou de estrangulamento que a própria universidade identifica e aponta. Neste cenário os Programas de Pós-Graduação ganham relevo e alcance, já que a pesquisa, a análise e a produção de conhecimentos colocam-se como elementos centrais desta ação. Se por um lado, a profusão de Programas de Pós-Graduação criados ou consolidados, particularmente nas duas últimas décadas, têm impulsionado a produção de indicadores e análises no campo educacional, por outro, é visível a necessidade de incremento e ampliação de programas desta natureza, cujos agentes devem estar atentos aos aspectos contraditórios da realidade e necessidade de instigar e subsidiar políticas públicas que atuem para alteração positiva deste cenário. Análises fecundas têm se voltado à compreensão da estrutura e organização das sociedades contemporâneas, cujos contraditórios processos de desenvolvimento incluem o impacto no meio ambiente, a disposição desigual de seus recursos materiais, além de ampla e diversificada globalização dos mercados, novos meios de produção, circulação e troca cultural, em contínua expansão através das novas tecnologias de comunicação e informação. No entanto, recentes avaliações efetivadas por organismos nacionais e internacionais, acrescidas às de pesquisadores da área, no país, enfatizam a forte defasagem educacional em relação ao atendimento em qualidade e quantidade a tais demandas. Mencionam-se: qualidade educacional aquém dos níveis mínimos esperados para o adequado desenvolvimento humano e social; aprendizagem mecânica e currículo escolar desconectado da realidade; condições de acesso e permanência inconsistente em clara violação aos direitos sociais; incompatibilidade dos processos educativos em relação às exigências do mundo do trabalho; gestão escolar desprovida de liderança institucional e pedagógica; inadequação da formação de profissionais da educação diante dos padrões de desenvolvimento e de mudança exigidos pelas novas demandas de ordem social, política e pedagógica. Reconhece-se que a educação e os processos de reprodução/apropriação mais amplos estão intimamente articulados e, por decorrência, uma reformulação do quadro social no qual as práticas educacionais da sociedade se realizam. Assim, embora aquele conjunto de aspectos resulte, em sua maioria, de fatores que transcendem os espaços escolares, os sistemas educacionais, a escola e os profissionais da educação cumprem o relevante papel de intervenção, seja atuando em práticas pedagógicas comprometidas com a mudança social e/ou aprofundando suas abordagens teórico-metodológicas, seja na produção e difusão da crítica capaz de subsidiar outros rumos. Deve-se reconhecer alguns avanços da área, particularmente no que concerne ao ensino básico como a ampliação da oferta, a instituição de piso salarial mínimo, a ampliação dos níveis de formação e a implementação de um conjunto de dispositivos de avaliação, mas estas iniciativas ainda não conseguiram gerar um movimento que remova a herança de aspectos negativos que impregna nossos sistemas de ensino, dando lugar a uma oferta de serviços mais qualificados, que resultem em alterações mais significativas no cenário social ainda marcado por grandes disparidades. Neste contexto, evidencia-se o desafiador papel das universidades que, na organização e planejamento de suas ações deve estar atenta a necessidade de cumprir com seus compromissos e funções precípuas.
 
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